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20 jun 2024
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Transição Digital

Lançado o Abrantes Digital com abertura ao mundo do repositório documental (c/fotos e áudio)

13/03/2023 às 17:36
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A secretária de Estado do Desenvolvimento Regional e o presidente da Câmara Municipal de Abrantes

Um arquivo pode ser uma sala ou um recipiente em que se fecha qualquer coisa, como documentos. Mas um arquivo é muito mais do que isso e pode ser uma fonte de promoção e divulgação de uma instituição ou território.
Terá sido esse o ponto de partida para uma transição digital em Abrantes, muito antes dessas duas palavras começarem a entrar pelas nossas vidas dentro.

É que o Município de Abrantes começou com um processo de digitalização dos serviços e procedimentos em 2011 e poucos anos mais tarde iniciou um outro processo, o da desmaterialização dos documentos existentes no Arquivo Municipal de Abrantes Eduardo Campos.

E isto é um processo aparentemente simples, mas muito moroso. Digitalizar ou passar pelo scaner milhares e milhares de documentos, de pequena e grande dimensão, mais recentes ou do tempo de um Portugal “em construção”, não é feito num estalar de dedos.

Esta ideia, muito simples, foi ganhando essa dimensão porque, hoje, apesar do arquivo físico, o estar desmaterializado e com acesso a partir de qualquer canto do mundo onde exista uma ligação à internet faz parte da inovação.

Esta aposta, em Abrantes, começou com a transferência do Arquivo, na orgânica municipal, da Divisão de Bibliotecas e Arquivos para a Divisão de Sistemas de Informação.

É que afinal de contas arquivo não é mais que um banco de dados que contém informação do passado, recente ou mais longínquo, que após catalogado pode ser utilizado.

E foi nesta manhã de segunda-feira, 13 de março de 2023, nos 40 nos do Arquivo Municipal de Abrantes que foi apresentado o Abrantes Digital com abertura do repositório do acervo municipal.

Este projeto Abrantes Digital tem vários segmentos, mas tem um fim muito simples, abrir portas do Município a qualquer cidadão em qualquer lado. Trata-se de juntar a plataforma da Câmara Municipal, a Abrantes 360, num portal mais completo. E pretende também chegar a todos os cantos do concelho.

Manuel Jorge Valamatos, presidente CM Abrantes

Mesmo nos locais onde a rede de internet possa ser mais fraca o Município está a instalar pontos de internet gratuitos para permitir que qualquer cidadão possa aceder à rede, ao portal e tratar dos seus assuntos.

Manuel Jorge Valamatos, presidente CM Abrantes

Já o repositório é a entrada num outro campeonato. Trata-se de disponibilizar informação online que permite a qualquer pessoa aceder a documentos que até aqui apenas poderia fazer de forma presencial.

Esta digitalização do arquivo permite, por exemplo, a qualquer investigador, poder aceder a este enorme banco de dados de Abrantes. Desde documentação da história, até outros “papéis” dos serviços municipais.

Manuel Jorge Valamatos, presidente CM Abrantes

Paulo Rêgo, Diretor da Divisão de Sistemas de Informação apresentou este novo conjunto de serviços com uma frase que resume tudo: “precisamos de um território inteligente.” E, porque um território tem de ter a tecnologia como um meio e não como um fim. Por isso esse grande desafio que é de Portugal, da Europa e do mundo que é “é a transição digital.”

De acordo com o quadro superior do Município esta “Abrantes digital começou em 2011, em 2015 foi lançada a plataforma Abrantes 360, em 2019 a carrinha do cidadão passou a levar a plataforma a todas as pessoas e 2020 aproximamos nos à Escola Superior de Tecnologia de Abrantes, naquilo que é um projeto de inteligência virtual para a Rede de Museus de Abrantes, mais propriamente a criação de um sistema virtual inclusivo.”

E adiantou ainda que foi em 2021 que “fomos ter com as juntas de freguesia” porque, de acordo com o responsável pela área digital do Município de Abrantes “a transição digital não é opcional.”

Paulo Rêgo, Divisão Sistemas de Informação Município

A plataforma Abrantes 360 permite o acesso simplificado a todos os cidadãos. Paulo Rêgo de um exemplo dessa simplificação digital. Não interessa quem tem a tutela do registo de animais, se a câmara ou a junta de freguesia para lá ir, de forma presencial. O que Interessa é ir a um local e tratar do assunto.

Depois deixou o desafio, ao olhar para a secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, na primeira fila da plateia, que é “ligar os serviços locais aos serviços nacionais.”

Paulo Rêgo notou, no entanto, que não estamos a falar de processos só para os entendidos, ou para que usa e abusa das tecnologias. “Todos os serviços no online também estão presentes no presencial. Podemos iniciar um projeto em presencial e terminar no digital ou vice-versa.”

Já do que diz respeito ao acervo municipal deixou a novidade, de que o repositório aberto passou a estar aberto. E deixou a grande ideia “temos de nos abrir para ir para o mundo. Queremos um portal disponível para todos.”

O chefe de Divisão de Sistemas de Informação deixou depois o desafio às instituições do concelho para que possam depositar os seus arquivos no Arquivo Municipal. Permitem aumentar esta base e, em simultâneo, deixar os documentos salvaguardados.

Paulo Rêgo, Divisão Sistemas de Informação Município

No fundo, este é um espaço ou projeto que se está a iniciar, mas Paulo Rêgo, gostava de ter, no futuro, um repositório maior. Ou seja, com mais documentos desmaterializados e com mais arquivos de outras instituições associativas ou empresariais do concelho.

Isabel Ferreira, secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, veio, acima de tudo, conhecer este projeto que é, de certo modo, inovador. Trata-se de uma aposta municipal que começou muito antes de o próprio governo começar a falar na transição digital.

A secretária de estado deixou a nota que a estratégia para 2030 aponta a um território inteligente, de proximidade, de sustentabilidade e de coesão. Tal como a ideia que Abrantes teve na apresentação deste Abrantes Digital.

Isabel Ferreira vincou que “a ideia de Abrantes é a ideia do país e que o próximo quadro de apoios financeiros tem uma aposta nesta área.” E deixou o repto para as múltiplas possibilidades de financiamento que poderão vir a existir.

A secretária de Estado vincou que “esta foi uma escolha muito inteligente.” E deixou uma nota de parabéns a todos que os que permitiram que o Arquivo faça 40 anos e esta grande ligação ao digital.

A governante virou-se depois para o digital enquanto meio de possibilidades para alavancar negócios em novos modelos e com novos empreendedores.

Um dos pilares de qualidade dos territórios passa por serem assegurados pelos serviços públicos. E notou que a plataforma “Abrantes 360” é inovador “nessa lógica de serviços de proximidade. Com uma área tão grande (Abrantes tem uma área semelhante à ilha da Madeira), é chegar a essas pessoas.”

A secretária de Estado apontou ao futuro e à prosperidade dos territórios. “E consegue-se com a atratividade de investimento e com atenção de recursos humanos qualificados.”

A adiantou ainda que a estratégia que o país tem colocado pano de fundo assenta em aspetos demográficos, na transição climática e na transição digital.

E avançou com o primeiro pilar deste desígnio que são as infraestruturas digitais ainda há muito por fazer. “Este é um compromisso nosso. Foi lançado o concurso internacional para garantir que todas as casas tenham zonas de elevada capacidade. Foi preciso fazer um grande mapeamento de todo o território. ANACOM assumiu esse trabalho. O mapa está fechado com 300 milhões de euros de financiamento. Ao terceiro ano teremos 100 por cento do território coberto.”

Isabel Ferreira, secretária de Estado Desenvolvimento Regional

Depois, segundo a governante, é preciso pensar na formação das pessoas para uso destas tecnologias. Não basta ter as redes. E deixou a nota que hoje, “ter um email e tão importante como ter um cartão de cidadão”, sem que seja para validar códigos em qualquer operação digital que se faça.

Isabel Ferreira, secretária de Estado Desenvolvimento Regional

Depois há o aproveitar as ferramentas para o desenvolvimento económico e inovação. “O digital está e vai estar presente em todos os sectores. E este repositório aberto é um exemplo que deve ser seguido por todos os outros arquivos. Este projeto faz todo o sentido.”

Isabel Ferreira, secretária de Estado Desenvolvimento Regional

A secretária de Estado visitou o Arquivo e ficou a conhecer os procedimentos e o que está guardado no edifício. E entre arquivo municipal há ainda a sala do arquivo histórico com documentos preciosos. Um deles é uma réplica do Foral de D. Manuel I, de 1518.

Foram ainda mostrados à governante um livro de registos recuperado, “o livro n.º 1, registo da correspondência recebida (1591 – 1603), róis de bens, tombos, inventários e testamentos.”

O documento mais antigo, datado de 1248, e que é uma carta de venda referente a “uma herdade situada no Salão do Rio Torto” ao Padre João Martins, um clérigo da Igreja de São João Baptista.

Outro documento é a “Carta de Sangria” concedida a Manoel Constâncio pelo cirurgião-mor António da Costa Falcão, a 16 de julho de 1754.

Em declarações à Antena Livre Paulo Rêgo explicou que o Abrantes 360 já corresponde a 90% de todos os serviços do Município e que até ao final de março possa chegar até algumas freguesias. O objetivo é não deixar ninguém para trás, daí que esta plataforma de acesso nas juntas de freguesia é fundamental.

Este é um processo complexo e de transformação, mas com pessoas, pelo que é preciso fazer a formação para que possam ajudar os munícipes.

Paulo Rêgo mostrou-se ainda satisfeito pela disponibilização do repositório de Abrantes e repetiu o pedido, que tinha feito na sessão, para que as associações ou empresas possam depositar as suas memórias no arquivo, para além da preservação de documentos.

Paulo Rêgo, Divisão Sistemas de Informação Município

O chefe da Divisão Sistemas de Informação Município vincou que cerca de 70% do acervo municipal já está desmaterializado.

O Repositório Aberto do Concelho de Abrantes disponibiliza texto, fotografias áudio e vídeo.

Cronologia

1983: Criação do Arquivo Municipal de Abrantes

1984: Transferência do arquivo para o arquivo não municipal

1993: Arquivo passa a ocupar o lugar deixado vago pela antiga biblioteca

2009: Inaugurado o novo edifício passando a designar-se por Arquivo Municipal Eduardo Campos

2020: Passa a integrar a Divisão de Sistemas de Informação

2023: 40 anos depois expande-se de Abrantes para o mundo com o repositório aberto