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Proteção Civil

Contingente que esteve no Chile a combater os fogos florestais chegou a Portugal

28/02/2023 às 22:32
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Fotos Facebook (segundo comandante regional da ANEPC João Pitacas)

O contingente português de 144 elementos que esteve no Chile a apoiar no combate aos incêndios florestais que atingem aquele país sul-americano chegaram hoje a Lisboa, após terem estado empenhados em “cinco teatros de operações diferentes”.

Em declarações a jornalistas no Terminal Militar de Figo Maduro, o chefe da missão da Força Operacional Conjunta Nacional (FOCON) da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), Mário Silvestre, adiantou que todos os palcos de intervenção eram “muito complexos” e de “grande dimensão”.

“Um dos incêndios tinha à volta de 130.000 hectares. Era um complexo de incêndios que se juntaram. Era um cenário muito complexo. Um flanco de mais de 100 quilómetros”, recordou.

O comandante da missão afirmou que os operacionais estiveram “empenhados até ao último dia”, mesmo depois de as autoridades chilenas terem pedido à FOCON - composta por bombeiros, militares da GNR e pessoal médico - para prolongar a sua missão na província chilena de Concepción por mais três dias.

“Demos um contributo muito positivo. Foi uma entreajuda fantástica, com as forças chilenas, no combate aos incêndios”, realçou.

Mário Silvestre quis deixar ainda uma palavra de incentivo aos outros 143 elementos que o acompanharam no combate aos fogos no Chile, dizendo que “tiveram uma postura fantástica”.

Na cerimónia de regresso a Portugal, o ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, sublinhou que se tratou da “maior força da União Europeia a apoiar o Chile”.

“Foi uma missão de 17 dias que se decidiu prolongar, no âmbito do mecanismo europeu de proteção civil. Trata-se uma solidariedade da União Europeia para com o povo do Chile, na qual participou Portugal”, disse aos jornalistas.

Antes, dirigindo-se aos 144 operacionais hoje regressados ao país, José Luís Carneiro deixou “uma palavra de profundo reconhecimento” do primeiro-ministro, António Costa, e do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que pediu para “transmitir que muito oportunamente” os vai receber na residência oficial em Belém.

Também presente no ato solene, a embaixadora do Chile em Portugal, Marina Teitelboim, agradeceu “o excelente trabalho” da FOCON.

“Estamos a viver um momento complicado, mas Portugal enviou a maior delegação da Europa. Essa é a solidariedade que o povo português sempre teve com todas as causas do Chile. Somos países parecidos e sempre nos ajudamos. Quero agradecer. A vossa ajuda foi muito importante para nós”, afirmou.

Elementos dos Bombeiros do Médio Tejo presentes na força

Para além de Portugal, Espanha e França também ofereceram ajuda, tendo Madrid disponibilizado duas equipas de combate a incêndios florestais terrestres, num total de 28 pessoas, e uma Equipa de Avaliação e Aconselhamento de Combate a Incêndios Florestais de dez peritos. França destacou uma equipa de 80 bombeiros.

De acordo com um balanço divulgado no sábado pelo Serviço de Prevenção e Resposta a Desastres (Senapred) do Chile, os hectares destruídos pelos incêndios nas últimas três semanas ultrapassam os 450.000.

São os fogos mais mortais registados no país sul-americano nos últimos dez anos, com 25 mortes contabilizadas até ao momento.

O Ministério Público chileno está a investigar a origem e pelo menos 44 suspeitos por fogo posto já foram detidos.

No sábado, em todo país, foram registados 224 incêndios florestais. Quase 6.000 operacionais continuavam a combater os fogos ativos.

As regiões de Biobío, Ñuble e La Araucanía são as mais afetadas.

Lusa