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09 fev 2026
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Cheias Caudais do Tejo descem, mas Médio Tejo mantém alerta vermelho

9/02/2026 às 16:56
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Imagem: CM N Barquinha

A descida dos caudais do Tejo aliviou a pressão nas zonas ribeirinhas do Médio Tejo, mas a previsão de chuva e os efeitos da tempestade mantêm o Plano de Emergência para cheias em nível vermelho.

“Apesar da diminuição dos caudais no Tejo e nos seus afluentes, o plano de cheias vai manter-se no nível vermelho, porque a pluviosidade prevista obriga a uma monitorização constante e a um alerta muito apertado”, disse à agência Lusa o comandante sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo, David Lobato.

Segundo os dados hidrométricos registados às 12:00, o caudal medido em Almourol fixava-se em 4.003,9 metros cúbicos por segundo (m³/s), enquanto as descargas combinadas das barragens de Castelo de Bode (651 m³/s), Pracana (189 m³/s) e Fratel (2.242 m³/s) totalizavam 3.082 m³/s.

Os valores contrastam com os registados no fim de semana, quando Almourol oscilou entre 7.500 e 7.800 m³/s no domingo, depois de um sábado estabilizado nos 7.000 m³/s, e com os picos superiores a 8.600 m³/s verificados na quinta-feira, situação que motivou a ativação do alerta vermelho.

Lobato explicou que a frente ribeirinha “aliviou um pouco a pressão” devido à maior capacidade de encaixe das barragens, mas alertou que os solos continuam saturados e há ainda muitas estradas cortadas por inundações, quedas de árvores, derrocadas e aluimentos de terras e que o alerta vermelho se mantém.

“Vamos ver até quando. As previsões meteorológicas apontam para chuva pelo menos até dia 13 ou 14 de fevereiro, o que nos obriga a manter esta vigilância muito apertada”, acrescentou.

O presidente da Câmara de Abrantes, da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e da Comissão Distrital de Proteção Civil de Santarém, Manuel Jorge Valamatos, sublinhou que a descida dos caudais expôs agora os danos provocados pelas cheias.

“Se por um lado é bom que o rio volte ao seu espaço normal, a verdade é que deixa a nu um rasto de destruição incrível em todas as cidades e concelhos ribeirinhos. Os caudais baixaram, mas os terrenos continuam muito ensopados e há ainda muitas estradas submersas”, afirmou.

Valamatos indicou ainda que a ponte da Chamusca reabriu esta manhã ao trânsito rodoviário, aliviando a pressão sobre outras travessias, embora admita novos condicionamentos caso a situação se agrave.

Na zona norte do Médio Tejo, mais afetada pela depressão Kristin, decorrem trabalhos de recuperação, com cerca de 9.000 pessoas ainda sem energia elétrica, duas semanas após o temporal, sobretudo nos concelhos de Tomar, Ferreira do Zêzere e Ourém.

“Estamos a falar de uma situação muito constrangedora, com populações sem energia elétrica e sem comunicações em pleno, enquanto decorrem trabalhos de colocação de telhados, desobstrução de caminhos e recuperação de condições mínimas de habitabilidade”, descreveu Lobato.

Manuel Jorge Valamatos reforçou que a descida das águas não significa o fim dos problemas, apontando a destruição visível nas zonas urbanas, agrícolas e ribeirinhas.

“É um sinal de que caminhamos para a normalidade, mas a destruição é muito significativa e vamos ainda levar vários dias a recuperar. As pessoas devem continuar a cumprir as regras e a não arriscar em vias ainda submersas”, alertou.

O Plano Especial de Emergência para Cheias na bacia do Tejo mantém-se em alerta vermelho, numa altura em que mais de uma centena de vias no distrito de Santarém continuam condicionadas ou submersas devido às cheias e à precipitação persistente.

Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

Lusa