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25 mai 2024
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Investigação

Alterações climáticas estão a ameaçar mais espécies do que o esperado

17/03/2024 às 10:37
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Num estudo recentemente publicado pela revista científica Science of the Total Environment, uma equipa internacional de investigadores, na qual participa Miguel Carretero, professor do Departamento de Biologia na Faculdade de Ciências da Unibversidade do Porto e investigador do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (BIOPOLIS-CIBIO) , revela que existe um número superior ao esperado de populações que podem estar em risco devido ao aumento da temperatura no planeta.

À medida que os valores de temperatura sobem no planeta, muitas espécies estão a recuar nos locais mais quentes de sua distribuição geográfica, especialmente quando as temperaturas excedem sua tolerância ao calor. Ainda que existam numerosas formas de medir esta tolerância em diferentes grupos animais, pouco se sabia como estas medidas podiam ajudar a avaliar a distribuição de espécies em locais com temperaturas mais elevadas.

No estudo agora publicado, a equipa liderada por Agustín Camacho, da Universidade Autónoma de Madrid, compilou num banco de dados mais de mil registos de tolerância para várias espécies animais (mamíferos, aves, répteis, anfíbios, peixes marinhos e artrópodes) e mostra as primeiras relações que existem entre a tolerância térmica destes animais e os seus limites da distribuição geográfica em regiões mais quentes.

Entre outras descobertas realizadas, verificou-se que em todos os grupos de animais estudados há populações mais ou menos expostas a temperaturas de risco. Isso contradiz visões mais simplistas que propõem que as espécies marinhas estariam sistematicamente em maior perigo de extinção climática.

Por outro lado, concretiza uma notícia publicada na página do BIOPOLIS-CIBIO, constatou-se que, nas espécies animais que estão particularmente expostas a temperaturas que desafiam sua tolerância ao calor, serão essenciais as respostas evolutivas no sentido de possuírem uma tolerância térmica intrinsecamente elevada para viverem em zonas cada vez mais quentes.

Esta descoberta “muda uma visão amplamente generalizada na comunidade científica, na qual se admitia que a evolução da tolerância ao calor não dependia da distribuição geográfica em regiões com temperaturas mais elevadas”, salienta Miguel Carretero.

O estudo também vem demonstrar a necessidade urgente de um maior conhecimento dos limites de tolerância ao calor e outras caraterísticas funcionais de muitas espécies, no sentido de identificar as populações que precisam de intervenção mais imediata perante o aquecimento global.

 

Faculdade de Ciências da Universidade do Porto