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06 out 2022
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Urgência de Abrantes com doentes a mais leva ao pedido de escusa de 61 enfermeiros

7/09/2022 às 09:16
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De 104 enfermeiros do serviço de urgência do Hospital de Abrantes 61 apresentaram o pedido de escusa de responsabilidade e, na semana passada 17 estavam de atestado médico, numero que terá diminuído para 14 nesta semana. As declarações de escusa de responsabilidade foram comunicadas à Ordem dos Enfermeiros e à administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT).

De acordo com uma informação avançada pela Secção Regional do Sul da Ordem dos Enfermeiros, os profissionais “alegam a insuficiência de enfermeiros na equipa, face ao elevado número de doentes internados.”

Segundo os enfermeiros, esta sobrecarga de trabalho está a causar um elevado nível de exaustão nos profissionais “susceptível de impactar no seu exercício profissional e na qualidade dos cuidados prestados, atendendo às condições em que os mesmos devem decorrer.”

Uma fonte contactada pela Antena Livre revelou que este pedido não resulta da falta de enfermeiros no serviço, mas sim porque o serviço de urgência de Abrantes é um serviço sobrelotado. Há um número excessivo de doentes internados na urgência do Hospital de Abrantes o que faz com que estes não tenham a atenção máxima dos enfermeiros, pois estes têm de dividir atenção por muito mais pacientes do que o que deveria acontecer.

Esta mesma fonte diz que não há uma necessidade de mais enfermeiros no serviço. O que defendem é uma forma de resolver os internamentos entre a urgência e as enfermarias. “Há doentes que chegam a estar 6 a 7 dias dias numa maca no serviço de urgência antes de subirem para uma enfermaria. É este o principal fator que levou às queixas dos enfermeiros de Abrantes.

Esta fonte confirmou que há excesso de doentes em contexto de urgência e que é um assunto que não tema nada a ver com a Covid-19. Aliás, esta é já a segunda vez que os enfermeiros de Abrantes apresentam o pedido de escusa de responsabilidades e pela mesma razão.

E para exemplificar o problema a nossa fonte garantiu que há certos dias que “chegamos a ter 60 doentes internados no serviço de urgência em camas e macas nos corredores.” E depois acrescentou que, num contexto destes, se entra uma situação emergente grave ou muito grave, que carece de atenção extrema das equipas de urgência, estes que estão “internados” criam uma sobrecarga enorme aos profissionais de serviço. “Há dias com 60 pacientes na urgência e já chegámos a ter 100”, garantiu a fonte.

E quando questionada sobre se há falta de enfermeiros respondeu que não, que o número de profissionais é adequado ao serviço. O que não é adequado é o número de pacientes que têm no serviço de urgência. Deveria haver internamento em enfermarias para aliviar este serviço para as situações de urgência e emergência que ali chegam.

E depois acrescenta que esta situação leva a que o número de horas de trabalho seja excessivo. A fonte revela que os profissionais têm a noção “que esta é uma situação cíclica e que nunca houve alegação de falta de profissionais.”

Em declarações à Antena Livre a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, confirmou o pedido de escusa de responsabilidade dos enfermeiros de Abrantes. E vincou que desde o momento em que foi disponibilizada a declaração pela Ordem que têm acontecido pedidos de equipas inteiras e não apenas de alguns profissionais de uma equipa.

O Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) confirmou a receção de 61 declarações de escusa de responsabilidade apresentadas.

Em resposta, por escrito, a administração diz estar “ciente do esforço que todos os enfermeiros das instituições do CHMT têm empreendido nos últimos dois anos e meio, na resposta assistencial aos utentes do Médio Tejo.” E adianta ainda que o Conselho de Administração “respondeu individualmente a cada uma das declarações apresentadas, reconhecendo a dedicação dos profissionais no combate a esta situação excecional de saúde pública, agradecendo, também, a resposta que tem sido dada pelos profissionais de enfermagem, em particular, e de todos os profissionais de saúde da instituição.”

O CHMT garante o “regular funcionamento do Serviço de Urgência de todas as unidades (Abrantes, Tomar e Torres Novas) bem como a habitual capacidade de resposta que sempre garantiu à população.”

 

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