Mau tempo Tomar, Torres Novas e Mação foram os concelhos mais afetados
A região do Médio Tejo registou, das 00H até ao início da tarde de hoje, um total de 65 ocorrências, sendo 11 quedas de árvores, 15 desabamentos de estruturas, 10 movimentos de massas, 10 inundações de superfícies e sete limpezas de via, entre outros.
Tomar foi o concelho com mais ocorrências, com 16, seguindo-se Torres Novas (15), Mação (9), Sardoal (7) e Ferreira do Zêzere (6).
Em Mação, a Proteção Civil deu conta do encerramento temporário da estrada de Vale da Mua, na freguesia de Envendos. A interdição aconteceu dentro da povoação, junto à fonte, por se encontrar alagada devido à subida do caudal da Ribeira do Carvoeiro. A estrada reabriu ao trânsito antes das 11 da manhã.
Já esta tarde, a Estrada Nacional 3, entre Vila Nova da Barquinha e Tancos, foi encerrada ao trânsito devido a uma derrocada.
A Infraestruturas de Portugal está a proceder aos trabalhos de limpeza no local, com o acompanhamento e monitorização do Município de Vila Nova da Barquinha e controlo do trânsito assegurado pela GNR.
A reabertura da via apenas ocorrerá quando estiverem novamente reunidas todas as condições de segurança para a circulação rodoviária.
A Antena Livre sabe que está a ser avaliada a circulação ferroviária da linha da Beira Baixa, uma vez que o talude que abateu é numa encosta onde passa a linha ferroviária.
Também esta tarde, ficou encerrada ao trânsito a estrada que liga o Pedregoso à Quinta da Cardiga, no concelho da Golegã, mas por precaução, devido a alguma instabilidade na ponte sobre a ribeira da Atalaia, junto à Cardiga.
Ainda em Vila Nova da Barquinha permanece a situação de submersão do cais do Almourol.
A Proteção Civil continua com o Plano de Cheias do Tejo ativo, embora as consequências dos caudais mais elevados se façam sentir apenas na lezíria. No Médio Tejo há apenas a registar, no concelho de Torres Novas, a submersão da Estrada Municipal 570, bem como o isolamento da Quinta do Paul do Boquilobo, devido ao galgamento do Rio Almonda.
Lezíria do Tejo
Já que diz respeito à situação no resto do distrito, ao início da tarde de hoje eram mais de 30 as vias afetadas com cortes, submersões e condicionamentos em vários concelhos, informou a Proteção Civil.
No concelho de Coruche estão submersas várias vias, incluindo o desvio da Ponte da Escusa (Couço–Coruche), ligações da EN114 à EN251, da EN114‑3 à EN119, assim como zonas ribeirinhas devido ao galgamento da margem esquerda do rio Sorraia.
No Cartaxo encontram‑se submersas a EN114‑2 entre Setil e a Ponte do Reguengo e a EN3‑2, entre Reguengo e Valada, que permanece interditada.
Em Santarém estão cortadas ou submersas múltiplas vias, nomeadamente a EN365‑4 (Ponte de Alcaides), a Ponte do Celeiro, a Ponte do Alviela (EN365) entre Pombalinho e Vale de Figueira, além da Estrada do Campo, em Vale de Figueira. A Proteção Civil assinala ainda a cedência de um talude na estrada de acesso a Alfange.
A situação afeta igualmente a Golegã, onde está submersa a estrada dos Lázaros e se encontram inundados vários campos agrícolas nas freguesias da Golegã, Azinhaga e Pombalinho.
Em Salvaterra de Magos está submersa a estrada entre Marinhais e Foros de Salvaterra, conhecida como Estrada do Paúl. Em Rio Maior estão interditas vias municipais nas zonas de Lobo Morto, Pé da Serra, Marmeleira, São João da Ribeira e Valbom.
Em Alpiarça está cortada a EN368 entre Alpiarça e Tapada e no concelho da Azambuja registam‑se várias vias submersas e acessos cortados, incluindo a ligação à localidade de Maçussa e a estrada Azambuja–Virtudes, bem como a cedência de taludes do rio Ota na zona de Vila Nova da Rainha.
Em Benavente está submersa a estrada municipal 1456 entre a sede de concelho e a Reta do Cabo.
Estado do tempo vai agravar-se a partir das 00:00 de quarta-feira.
Em comunicado, o Comando Regional de Lisboa e Vale do Tejo da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) alertou para um cenário com tendência para caudais elevados nos próximos dias, referindo ainda que se registou “um aumento dos valores debitados pelo conjunto das barragens”, tendo existido, no entanto, “algumas oscilações”.
A Proteção Civil alerta para a possibilidade de inundações urbanas, cheias rápidas, instabilização de taludes e deslizamentos, bem como piso rodoviário escorregadio e formação de lençóis de água.
Como medidas de proteção, as autoridades recomendam a retirada de equipamentos agrícolas e animais de zonas habitualmente inundáveis, evitar atravessar vias submersas e manter a população atenta às indicações das autoridades e à informação meteorológica oficial.
O estado do tempo vai agravar-se a partir das 00:00 de quarta-feira.
A Proteção Civil decidiu elevar o estado de prontidão especial para nível 4, o máximo, em toda a orla costeira entre Viana do Castelo e Setúbal, para fazer face a nova depressão meteorológica que atravessará Portugal na próxima madrugada.
O distrito de Coimbra, até Aveiro, a norte, e até Leiria, a sul, será a zona de maior risco à passagem da depressão Kristin, que sucede à depressão Joseph e que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) qualificou como “ciclogénese explosiva”, termo utilizado para depressões de forte intensidade, tanto em vento como em chuva.
C/ Lusa
Foto: Junta de Freguesia de Envendos