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COVID-19: Zero casos no Médio Tejo e a mudança das nossas vidas

15/03/2020 às 00:00
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Esta foi a semana em que a nossa vida mudou. Está a mudar. Vai continuar a mudar.

Esta foi a semana que levou as autoridades a definir apelos vários aos cidadãos e depois pacotes de medidas que têm como objetivo de conter a proliferação de um vírus que é agressivo do ponto de vista da disseminação.

Mas esta foi a semana que vimos muitos cidadãos a não cumprir as recomendações e outros a exigir quase um estado de sítio e de paralisação total do país para conter o coronavírus.

Medidas à parte, após, e só após as decisões do Governo, as empresas e empresários começaram a tomar as medidas adequadas para restringir a circulação de pessoas, com o apelo de “fiquem em casa”.

É, por isso, o fim de semana da mudança das nossas vidas. Porque todos temos de mudar rotinas. Todos temos de adotar novas formas de viver o dia a dia em casa ou no trabalho, e na componente social que os povos latinos, em geral, e os portugueses, em particular, tanto gostam. E é neste desafio que todos, incluindo nós, os jornalistas, estamos a embarcar sem saber durante quanto tempo andaremos a viajar nesta incerteza.

Mas não haverá medida, a não ser a proibição total de circulação ou de andar na rua, se os portugueses não pensarem a sério que este é um problema sério.

Não adianta ir ao café e em vez das 10 mesas ver apenas 3, para as medidas de distância social, e gozar com o proprietário: “então roubaram-te as mesas” ou “andas cheio de medo, ou quê?”

E, por outro lado, ainda gozarem com o gel desinfetante que está no balcão, disponível, de forma correta, para qualquer um dos clientes.

Ou noutra situação, à porta de uma farmácia, juntam-se clientes na rua, onde formaram uma espécie de fila para manter o tal distanciamento social e uma outra cliente chega e entra na farmácia. E ao ser alertada pela farmacêutica de que há uma ordem das pessoas na rua ainda consegue descompor quem está a fazer o seu trabalho.

Com isto já nem falo das filas dos supermercados e das compras loucas de muita gente que não pensa em ninguém a não ser no próprio umbigo.

E digo isto da leitura dos fatos, dos números, das declarações e daquilo que são as opiniões de todos. Sim, porque todos temos opiniões e percebemos de tudo e a toda a hora.

Não quero aqui julgar procedimentos das autoridades da saúde, políticas ou outras. Nem comparar as nossas medidas com as de qualquer outro país.

Ainda hoje, domingo, recebemos a meio da tarde mais o pacote de restrições emanados da Câmara Municipal de Abrantes que se juntam a outras medidas divulgadas na sexta-feira. E juntam-se às medidas de Sardoal, Mação, Barquinha, Constância, Vila de Rei, dos municípios do Médio Tejo, do distrito de Santarém e do país.

Juntam-se as medidas dos supermercados da região. Uns limitam o número de clientes, outros restringem os horários. Juntam-se outras pequenas empresas que decidiram fechar portas por tempo indeterminado.

Nos restaurantes e bares, para além das limitações impostas que tiveram, muitos estão a optar por fazer apenas serviço de take away e outros a fechar mesmo as portas. Sábado foi a Casa Chef Victor e já este domingo a Cascata e o Sabores da Cascata e o Dgustar, em Abrantes.

Estas são medidas tomadas para limitar mais e mais a circulação e o convívio pessoal.

Mas há, nestes dias, uma ameaça maior, sem risco para a saúde é certo. A internet e as redes sociais e o fato de as pessoas serem crentes em tudo que recebem. E muitas vezes a partilha de informações sem fontes.

Uma deste domingo era que a Mitsubishi, em Tramagal, tinha casos e estava encerrada. Bastou ver a notícia deste sábado do MédioTejo.net para perceber que, de fonte segura como é a administração da empresa, está a laborar dentro da normalidade possível.

Outro dos casos diz respeito a casos confirmados deste vírus que está a modificar a nossa forma de vida e deveria modificar também a nossa linha de pensamento e gerir a informação, mesmo a mais sensível.

Às respostas de hipotéticos casos positivos em Abrantes, divulgados no sábado, respondi com a informação oficial de que no Médio Tejo (unidades hospitalares) não havia nenhum infectado com a COVID-19. Ontem sábado, às 16 horas, não havia nenhum caso.

Hoje, domingo, voltei a ouvir algumas dessas informações. Há um caso aqui ou ali. Mas quando alimentamos a conversa para ir atrás de uma eventual fonte, esfuma-se com alguém disse que ouviu de alguém que tinha ouvido de alguém.

Novamente esta tarde voltei a ser interpelado com eventuais casos de coronavírus na região. A informação oficial, às 18 horas deste domingo é que no Médio Tejo (unidades hospitalares) não há nenhum caso positivo de COVID-19. E mesmo os suspeitos a aguardar análises não são muitos. Estes dados apurados pela Antena Livre esta tarde, depois de conhecidos os números deste domingo, divulgados pela Direção Geral da Saúde.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) elevou hoje o número de casos de infeção confirmados para 245, mais 76 do que os registados no sábado.

Entre os casos identificados, 136 estão internados, dos quais nove em unidades de cuidados intensivos, e há duas pessoas recuperadas.

Neste momento há já um total de casos não confirmados de 1746 e estão a aguardar resultado laboratorial 281 casos.

E a ministra da Saúde, Marta Temido, adiantou esta tarde, que com dados disponíveis à data é previsível que a curva epidemiológica do novo coronavírus "aumente pelo menos até ao final de abril". Na habitual conferência de imprensa para balanço sobre a Covid-19, Marta Temido deu ainda conta de que há "18 casos internados em unidade de cuidados intensivos e oito desses casos são críticos", que inspiram preocupação.

Acima de tudo, com a informação e concorde ou não com as medidas que estão a ser tomadas pelas autoridades portuguesas respeite-as. Fique em casa ou então saia para fazer o estritamente necessário à sua vida. Isto é sério e temos que lidar com isto muito a sério.

Jerónimo Belo Jorge

 

PS: Os casos locais relatados aconteceram ontem, sábado, e hoje domingo.