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Música

Temas criados por Tozé Brito ganham nova vida em álbum a ser editado na sexta-feira (C/ ÁUDIO)

7/11/2021 às 09:23
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O álbum “Tozé Brito (de) Novo” reúne versões novas de algumas das centenas de canções criadas pelo músico e compositor Tozé Brito e é, para o homenageado, uma “boa amostra” daquilo que fez nos últimos 50 anos.

“Tozé Brito (de) Novo”, a ser editado na sexta-feira, é composto por 12 temas, originalmente criados para artistas como Tonicha, Adelaide Ferreira, Herman José, Doce, Dina, Carlos do Carmo ou Ana Moura, e agora recriados por Selma Uamusse, Camané, Catarina Salinas (Best Youth), Tiago Bettencourt e António Zambujo, entre outros.

A ideia de homenagear o músico e compositor, que cumpre este ano 70 anos de vida, partiu da mulher, a radialista Inês Meneses, que “propôs a ideia à [editora discográfica] Sony”.

“Só me comunicaram ia acontecer quando precisaram da minha ajuda para selecionar canções”, contou Tozé Brito, em entrevista à Lusa.

Das mais de 500 canções que escreveu, das quais cerca de uma centena são temas infantis ou criados para teatro, cinema e televisão, Tozé Brito selecionou 70, “para que as pessoas que as iam interpretar escolhessem cada um a sua”.

“Havia canções que toda a gente conhece e outras que estavam perdidas em lados B de álbuns e de ‘singles’. Pus umas mais conhecidas e outras que achava que eram boas e tinham pernas para andar. E essa foi a minha participação, depois não voltei a vê-las até estarem prontas”, recordou.

Algumas escolhas dos músicos surpreenderam Tozé Brito, nomeadamente a do vocalista dos Capitão Fausto, Tomás Wallenstein, que reinterpreta “Depois de ti”.

“É uma balada que escrevemos (eu e o Mike Sargeant) em 1980 para o primeiro ‘single’ das Doce, o ‘Amanhã de manhã’, e nunca mais me lembrei da canção, ficou perdida. O Tomás disse-me que sempre conheceu e sempre adorou a canção. É incrível como a canção chegou lá, porque eu já nem me lembrava que ela existia. Houve escolhas surpreendentes e outras digamos que mais óbvias”, disse.

Para Tozé Brito, a escolha de Camané, “Retalhos da vida de um médico”, tema originalmente interpretado por Carlos do Carmo, “era das mais óbvias”, mas há outra “muito óbvia”, a de Mitó, “fá incondicional da Tonicha”.

Mitó reinterpreta, com Ana Bacalhau, “Canção da Alegria”. “Quando me disseram que ela ia entrar no álbum eu sabia que ela ia escolher uma canção da Tonicha”, partilhou Tozé Brito.

Entre os músicos que participam no disco, que conta com produção de Benjamim e João Correia, há nomes “que foram uma surpresa” para Tozé Brito e outros que já conhecia bem e sabia “que se conseguiriam adaptar às canções”.

“A surpresa foi perceber que algumas das pessoas que eu não sabia como iriam pegar nas canções e dar-lhes a volta, deram a volta de uma forma incrível. Não há nenhuma que eu diga que pode saltar fora do baralho porque está aqui um pouco fora do contexto. Não. Estão todas ao mesmo nível, todas muito boas”, disse.

Além de “Depois de ti”, “Retalhos da vida de um médico” e “Canção da Alegria”, o alinhamento de “Tozé Brito (de) Novo” inclui também “Olá, então como vais” (reinterpretada por Benjamim e B Fachada), “Sábado à tarde” (Tiago Bettencourt), “Uma nova maneira de encarar o mundo” (Miguel Guedes e Rita Redshoes), “Papel Principal” (Selma Uamusse), “Eva” (Catarina Salinas), “A cor do teu batom” (Samuel Úria), “Em segredo” (Joana Espadinha), “Não hesitava um segundo” (António Zambujo) e “Pensando em ti” (todos os músicos e Tozé Brito).

Tozé Brito admite que “ficaram necessariamente canções de fora que davam para fazer um outro álbum”, mas este “resume muitíssimo bem” uma carreira a escrever sobretudo para outros.

“Tens das mais populares, as mais conhecidas, ou outras completamente desconhecidas. Coisas com características quase intimistas e outras muito mais pop, no sentido de populares, de chegar ao povo rapidamente, de entrarem no ouvido facilmente. Está lá de tudo, um pouco de tudo. É uma boa amostra daquilo que eu fiz, não há nada que tirasse do álbum para substituir por uma das que ficaram de fora”, considerou.

Para Tozé Brito, “o mais difícil e o mais interessante” na arte de escrever canções para outros interpretarem “é entrar na cabeça da pessoa que vai cantar”.

“Quando me pedem canções não me limito a dizer ‘ok queres uma canção eu vou para casa ver o que escrevo e depois logo vês, se gostas gostas, se não gostas a vida continua’”, afirmou.

Tozé Brito gosta de saber “quem é a pessoa” para quem está a escrever: “Quais são as motivações, o que é que quer cantar, que género de canção é que gostaria de cantar, que é uma pergunta que faço sempre, uma coisa alegre, mais triste, mais melancólica, balada, tem que se perceber isso”.

Aos 70 anos, Tozé Brito continua a escrever, “como sempre”. “Agora foi a Gisela João que me pediu canções, amanhã não sei quem será. Há sempre alguém que me pede canções e quando não há eu não paro de escrever, porque me dá gozo de escrever para mim”, confidenciou.

Em relação às canções que vai escrevendo para si, Tozé Brito partilhou que “quem sabe um dia” não perde a cabeça e volta a estúdio, “sem pretensões nenhumas” porque os números para si “já não contam”.

“Havia uma altura em que me preocupava se os discos vendiam muito ou não, a minha vida hoje já não é essa, já não passa pela necessidade de ter sucesso”, disse.

Além disso, “há planos, e mais que planos vontade”, de apresentar “Tozé Brito (de) Novo” ao vivo.

“Toda a gente está com imensa vontade de ir para palco fazer isto, o problema é a logística de fazer uma coisa destas. Talvez um Coliseu em Lisboa e no Porto fosse o ideal e lá para fevereiro ou março, se houver espaço, disponibilidade de salas e coordenação de agendas, porque juntar estas pessoas todas não é fácil. Não vai ser fácil, mas há vontade e era muito bonito”, afirmou.

Lusa