Pesquisar notícia
sexta,
27 jan 2023
PUB
Abrantes

FC2TEC dá passo de gigante com nova fábrica com aposta na internacionalização (c/áudio e fotos)

23/01/2023 às 18:10
Partilhar nas redes sociais:
Facebook Twitter

A empresa foi criada em Tramagal em 2016, mas a 2 de julho de 2020, em plena pandemia, os empresários Paulo Costa e António Ferreira lançaram a primeira pedra do complexo industrial da FC2TEC - Manutenção Industrial num lote de terreno no parque industrial de Abrantes, zona norte.

Na altura, com 14 postos de trabalho, os empresários apostavam num investimento forte, mesmo em tempos de pandemia, tendo em vista a rentabilização do negócio assim como a instalação, por exemplo, de uma máquina de corte de placas de ferro e assim diminuir os custos da aquisição das peças já cortadas noutras unidades industriais. E, acima de tudo, com uma nave industrial a FC2TEC poderia ganhar escala e abraçar novos desafios, novos projetos.

Dois anos e meio depois desse ato de descerramento da placa de início da construção, a 20 de janeiro, foi inaugurada esta unidade que representou um investimento de 1 milhão e 200 mil euros e que representa, acima de tudo, muita resiliência dos empresários Paulo Costa e António Ferreira.

É que se a aposta em tempos de pandemia foi um desafio, o pós-pandemia trouxe uma crise económica, com aumento de inflação e subida generalizada dos preços da matéria-prima e da energia. E depois veio ainda guerra na Ucrânia que acrescenta ainda mais incertezas ao mundo empresarial.

Hoje a FC2TEC cresceu no espaço físico e já adquiriu um segundo lote contíguo aquele em que está a nave industrial, trabalha para Portugal e para lá das fronteiras e aposta no conceito solução chave na mão para problemas industriais. “Queremos que nos apresentem o problema para podermos apresentar a solução. É isso que fazemos, apresentamos soluções aos problemas dos nossos clientes” explica Paulo Costa.

A inauguração, no dia 20 contou com as presenças do presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, do presidente da NERSANT, Domingos Chambel, entre muitos outros convidados que foram percorrendo o espaço interior da empresa e puderam ver alguma maquinaria a trabalhar e, nalguns casos, com explicações dos empregados e dos empresários da empresa.

E entre estas explicações e conversas, aos jornalistas os empresários contam que já faz parte do seu portfólio de clientes a instalação de uma linha de montagem numa fábrica de sapatos onde são fabricadas peças de sapataria para a marca Louis Vuitton. “É o nosso cartão de visita em Itália”, explicam os empresários que desde 2020 também aumentaram o número de trabalhadores. De 16 passaram a 22 e são eles que fazem andar a empresa vincam, destacando sempre que os tempos não estão fáceis.

Paulo Costa revela que está apreensivo para os próximos tempos, com os preços dos combustíveis e da matéria-prima, “mas temos compromissos com clientes multinacionais com os quais iremos sempre honrar os nossos compromissos.”

O empresário deu um exemplo simples para se perceber o estado do mundo empresarial: “na pandemia, quando começamos a construir o pavilhão tínhamos o aço a 500 euros a tonelada e agora está a 900, quase a mil euros... não é fácil.”

António Ferreira “agarra” na deixa do sócio e salienta que na altura, 2020, pensavam que as coisas iam melhorar. “A pandemia trouxe problemas que foram ultrapassados com outro tipo de produtos. Chegámos a fabricar lavatórios ou grelhadores. Fizemos uma adaptação. E até 2023 temos andado numa adaptação constante.” E ainda na linha da subida dos preços explicou que fez um trabalho em 2017 e que repetiu já este ano (2023) e teve um aumento de 70%.

A abertura desde novo pavilhão permite crescer e é uma “honra para nós porque isto foi tudo fabricado e montado por nós nas antigas instalações. Mesmo o projeto foi feito por nós os dois.” António Ferreira aponta depois para “as traseiras” da nave e revela ter o segundo lote de terreno já cheio de material.

Nesta altura a FC2TEC conta com vários clientes multinacionais como a “Hitachi, em Abrantes, a Mitsubishi, no Tramagal, a Hutchinson Rubber, em Campo Maior, que são empresas que vão sempre precisando dos nossos serviços. E posso acrescentar que, brevemente, vamos começar a trabalhar com a Fonte Salem, em Santarém, e em Itália fizemos a montagem de uma linha de fabricação de sapatos para marcas como a Louis Vuitton, a Dior, a Balenciaga ou a Hermés. E isto acontece porque o empresário italiano gostou tanto do nosso trabalho que em abril e em agosto estamos lá outra vez.”

Paulo Costa explica que a FC2TEC não tem um produto definido, “temos a capacidade de ir de encontro às necessidades do cliente. E isso para nós é a maior valia.”

E depois, em jeito de brincadeira, mas a falar a sério vinca: “problemas. Eu gosto é de problemas. A ideia é resolver problemas.”

António Ferreira acrescenta ainda que “se nos apresentarem um desenho técnico, nós montamos. E somos muito fortes na manutenção.”

O investimento foi de 1,2 milhões de euros, apesar de muitos componentes terem sido construídos pelos próprios com apoios do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional para reforço da competitividade de pequenas e médias empresas e dos Fundos Europeus Estruturais e de Investimento.

A maior dor de crescimento da empresa está a ser nos recursos humanos. António Ferreira explica que têm 22 empregados e que muitas vezes têm de contratar serviços pela dificuldade em encontrar mão de obra qualificada. “A oferta é muito reduzida. É um problema. Deveria repensar-se o regresso das escolas industriais ou então criar núcleos de formação dentro das próprias empresas.” E Paulo Costa vai mais longe, “nós estamos abertos a isso a criar um polo de formação em soldadura ou eletricidade industrial, o que seja necessário para colmatar as nossas dificuldades, que são muitas.”

António Ferreira, salienta que, como o problema já tem anos, “criamos uma sala de reuniões com capacidade para formação e temos um canto na empresa que permite as aulas práticas.” Mas diz que se sentem sozinhos e que deveria haver alguma entidade que ajudasse as empresas a criar esses postos, pois por conta apenas das empresas fica dispendioso, até porque o aproveitamento dos formandos que entram destas ações “se calhar em dez aproveitam-se dois.”

 

António Ferreira e Paulo Costa

Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara de Abrantes, destacou a importância para a abertura de novas empresas, mesmo com todas as incertezas dos tempos atuais. “Foram tempos nada fáceis.”
Mas o autarca destacou que este “é um sinal de esperança” porque mesmo depois da pandemia “estarmos a inaugurar esta fábrica dois anos depois do lançamento da primeira pedra é um sinal de esperança.”

Depois refere os desejos de que a guerra termine e inflação possa descer para deixar de lado esta ideia de instabilidade que está presente na sociedade, em geral, mas nas empresas, em particular.

O autarca, que visitou a empresa e viu a capacidade produtiva, manifesta satisfação ao perceber que hoje (20 de janeiro) são 22 trabalhadores, mas há uma capacidade para poder, muito rapidamente poder encaixar mais empregados.

O presidente da Câmara de Abrantes deixou ainda uma nota para o trabalho que a FC2TEC tem na ligação com outras empresas da região.

Questionado sobre o alargamento do Parque Industrial de Abrantes, uma necessidade que já afirmou por diversas vezes, o autarca destaca que no final de 2022 já foram adquiridas mais parcelas de terreno para esta ampliação. Por outro lado, revela que, pouco a pouco, têm vindo a tentar resolver problemas administrativos e jurídicos de algumas empresas devolutas. ” Queremos muito valorizar a zona industrial de Abrantes. Ainda a semana passada aprovamos a instalação de uma empresa no próprio parque de ciência e tecnologia. Queremos muito valorizar também o parque industrial do Tramagal e do Pego.”

Manuel Jorge Valamatos explica que a autarquia quer melhorar as suas acessibilidades, os instrumentos de ação e aumentar a competitividade com a instalação, por exemplo, de fibra ótica ou a criação de uma, ou mais, Comunidades de Energia Renovável (CER).

“Vamos ter uma aqui, e procuraremos ter mais noutros locais”, vinca Manuel Jorge Valamatos manifestando uma grande expetativa que Abrantes possa ter uma ainda este ano.

 

Manuel Jorge Valamatos, presidente da CM Abrantes

Já Domingos Chambel, presidente da direção da Nersant, vinca a “resiliência” dos empresários em tempos muito difíceis e lembrou o trabalho da autarquia na criação do parque industrial, recordados que há 25 anos não havia ali uma rua com alcatrão. “Foi pela vontade dos homens, pela vontade de grandes empresários que este terreno ganhou corpo e alma”, notou o presidente da associação empresarial que destaca ainda as entidades que têm acompanhado os empresários nestes apoios. E neste destaque releva a Câmara de Abrantes, e “ultimamente o presidente Valamatos, ao qual tenho de deixar um agradecimento, porque chegou a altura do Município de Abrantes compreender a importância das empresas, não só no seu aparecimento como também na sua manutenção.”

O também empresário em Abrantes realça que a Câmara ajuda as empresas a ultrapassar entraves que o Estado (central) impõe.

E volta a destacar a resiliência de Paulo Costa e António Ferreira que constroem a empresa “nestes tempos difíceis e singulares.” Logo de seguida evoca os problemas dos dias atuais na escassez de materiais, na escassez de pessoal, em escassez de condições de transações a nível internacional “é de valorizar duplamente a iniciativa e coragem que estes empresários tiveram em construir esta pequena nação no concelho de Abrantes.”

Domingos Chambel, presidente direção NERSANT 

 

E como o dia era de festa não faltou o bolo, os “parabéns à empresa”, a Bênção feita pelo pároco Carlos Almeida, e os brindes de convidados, mas um muito importante, entre os empresários e o staff da empresa que nesta sexta-feira vestiu o fato de festa para a inauguração da unidade fabril.

2 julho 2020 - Lançamento 1.ª pedra FC2TEC

A FC2TEC – Manutenção Industrial, é uma sociedade constituída em 2016 e tem sede no Tramagal. Este lote do Parque Industrial de Abrantes recebeu uma nave de mil metros quadrados. A empresa atua desde a manutenção industrial passando pela produção e instalação de estruturas metálicas, eletricidade industrial, serralharia em inox, serralharia mecânica, corte e quinagem, corte a plasma CNC, calandragem de chapa, soldadura, tubagem e pinturas.

Galeria de Imagens