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Sardoal

Zahara: São 21 anos, 42 publicações, sobre a história local

25/11/2023 às 14:28
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É assim desde 2002. Todos os anos, os historiadores e investigadores locais apresentam os seus manuscritos e a direção da Zahara faz a aprovação dos mesmos, cria o alinhamento que depois haverá de seguir para a gráfica, onde é feita a paginação e impressão.

O início tinha este objetivo, se mostrar a história local através de investigadores locais. Uma revista que mais parece um livro que todos os anos, por duas vezes, publica coisas sobre os concelhos deste norte do Ribatejo. E a edição 42, apresentada esta sexta-feira, não se fica atrás das outras 41 que estão já nos anais da história da região.

O Centenário do Sporting de Abrantes; Legado Cultural de Luís Manuel Gonçalves; Achados Arqueológicos de Almourol; Um Construtor de Carroças de Mação; Abrantes e o RI2 na Guerra Colonial; O Nordeste do Distrito de Santarém nas Câmaras Eclesiásticas de Castelo Branco e Lisboa, nos Séculos XVI a XIX, Vale Zebrinho, o Carpinteiro de Queixoperra ou uma entrevista ao fundador do Rancho do Pego, faz parte desta edição.

Como sempre a sessão de apresentação contou com a presença de quase todos os autores dos textos publicados. E foi cada um deles que resumiu aquilo que o leitor pode encontrar nesta revista.

José Martinho Gaspar vincou que esta continua a ser uma viagem pelo nosso território. E acrescentou que a vida do quotidiano faz cada vez mais sentido, apontado a 100 anos do Sporting de Abrantes que é muito mais do que jogos de futebol ou corridas. O diretor da Zahara disse ainda que há cada vez mais uma busca por documentação da sociedade, como vídeos caseiros e da família de Correia Pais que está a ser alvo de um trabalho de uma investigadora italiana.

José Martinho Gaspar fez ainda questão de referir Eduardo Campos, já que estamos na altura do aniversário da sua morte. Já lá vão 20 anos. Um homem da história local, um dos primeiros investigadores locais com obra publicada, que colaborou na primeira edição da Zahara e haveria de deixar outra colaboração para a segunda. Eduardo Campos, que foi o primeiro a lidar com arquivos locais e muitos papéis, quando o Arquivo de Abrantes era uma sala no Convento de S. Domingos, hoje Museu Ibérico de Arqueologia e Arte de Abrantes.

E José Martinho Gaspar reforçou a importância do trabalho de Eduardo Campos que investigou muito e deixou muitas ferramentas, leia-se publicações, para que outros investigadores pudessem continuar a trabalhar. Neste sentido, há que destacar este trabalho, concluiu o diretor da revista de história local.

O Centro de Estudos de História Local de Abrantes (CEHLA) é um projeto da Palha de Abrantes – Associação de Desenvolvimento Cultural, e organizou esta sexta-feira, dia 24 de novembro, em Sardoal, as XX Jornadas de História Local. Foi neste encontrou que foi apresentado mais um número da revista de história local, Zahara, ou seja, o número 42 desta revista que vai já no 221.º ano de publicações ininterruptas.

Estas Jornadas contaram com duas sessões durante a manhã. Arquivos Régios e Diocesanos e o seu Contributo para a Micro-história da Arte: Do Antigo Termo de Abrantes, à Barquinha, numa comunicação do historiador Rui Manuel Mesquita Mendes. Neste campo José Martinho Gaspar destacou, à Antena Livre, o trabalho que pode ser feito em torno de investigações que ultrapassam as dos arquivos locais. Apontou, por exemplo, os arquivos da Igreja, nomeadamente da Diocese de Portalegre e Castelo Branco que serviu de base a este trabalho. José Martinho Gaspar frisou a importância de se poder acrescentar cada vez mais informação aquela que já existe no domínio local. E os arquivos diocesanos ou até da Torre do Tombo podem sempre trazer mais conhecimento.

É, aliás, neste sentido que o diretor da revista Zahara manifesta ter sempre a porta aberta para novas colaborações, ou seja, todas as pessoas que queiram podem abordar a “revista” para poder deixar a sua colaboração. E acrescenta que há muitas possibilidades, pois a história local é tudo aquilo que possa caracterizar uma sociedade. E deu o exemplo desta edição da Zahara que tem temas como o património, o desporto, o património imaterial, profissões em vias de extinção e registos mais recentes, como as guerras coloniais.

Voltando às Jornadas, o segundo painel foi uma evocação de Correia Pais, colaborador do CEHLA com um olhar sobre a valorização dos filmes amadores e caseiros através de documentários interativos, por Arianna Mencaroni, uma investigadora da NOVA Media Lab/ICNOVA que está a trabalhar este património audiovisual do sardoalense.

Depois da apresentação da Zahara, seguiram as Jornadas com a apresentação do programa AO.RI – Artes e Ofícios do Ribatejo Interior. Trata-se de um projeto que dar dinamizado pela TAGUS e que pretende, acima de tudo, salvaguardar e promover as artes e ofícios de Abrantes, Constância e Sardoal. Conceção Pereira, coordenadora da Tagus, apresentou o projeto com a presença de alguns dos artesãos locais.

Experimentação e Socialização do Conhecimento foi o tema desenvolvido por Anabela Borralheiro Pereira e Rodrigo Melo Santos, do Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado no Vale do Tejo/Município de Mação.