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Cultura

Nos 125 anos do nascimento de António Botto Concavada ganhou um mural de pintura urbana (c/áudio)

18/08/2022 às 11:56
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António Botto, o poeta natural de Concavada e dá que nome à Biblioteca Municipal de Abrantes, nasceu à 125 anos, a 17 de agosto de 1897. Esta quarta-feira passaram 125 anos do seu nascimento e a efeméride foi assinalada.

Orlando Marchão no personagem de "António Botto"

O poeta, contista, dramaturgo e escritor epistolar tem um busto em Concavada e ganha agora um mural que assinala esta data, ou seja, 125 anos do seu nascimento. Trata-se de um mural pintado pelo artista de arte urbana Samina e está localizado na parede traseira das casas de banho públicas, virada para o parque infantil da localidade.

A criação deste mural está integrada nos Caminhos Literários, um projeto cultural e literário dos concelhos de Abrantes, Constância e Sardoal que tem o nome de “Botto, Camões Gil Vicente e outros que pro cá passaram".

O porquê da arte urbana e de um mural foi explicado por Carlos Bernardo do “Meu escritório é lá fora”.

 

Carlos Bernardo, ""O meu escritório é lá fora"

Depois da inauguração do mural houve ainda tempo para uma visita à Biblioteca Itinerante de Abrantes, a “BIA” que tem agora um projeto novo de promoção do livro e da leitura com sacos com palavras inscritas como “beleza”, “mãos”, “beijo” ou “felicidade”.

Logo de seguida José Horta, na viola, e João Vaz, na guitarra portuguesa, interpretaram alguns temas com letras dos poetas de Abrantes. Botto, claro está, a que se juntaram Francisco Lopes, Joaquina Tavares Varandas, José-Alberto Marques e o próprio José Horta.

António Moutinho, presidente da União de Freguesias de Alvega e Concavada, destacou que este ato cultural é uma mais-valia para a freguesia. É um símbolo de um poeta que nasceu na freguesia.

António Moutinho sublinhou que a casa onde nasceu António Botto ainda existe e que poderia vir a ser um marco na freguesia. “Para além das suas memórias é possível criar roteiros turísticos para virem pessoas de fora conhecer o poeta”, destacou o presidente da União de Freguesias acrescentando que poderiam passar pela casa onde o poeta nasceu.

Pode, no futuro, na União de Freguesias ser feito um levantamento sobre os locais de António Botto na Concavada e na casa onde nasceu que existe e está fechada, ou seja, não está habitada e que poderia permitir visitas.

De acordo com o presidente da Junta de Freguesia “temos de estudar outro tipo de iniciativas para deixar sempre bem viva a memória do poeta."

António Moutinho, presidente JF Alvega e Concavada

Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara de Abrantes, destacou que o mural do aniversário de António Botto integra-se num projeto cultural mais vasto e em três concelhos.
O autarca referiu o orgulho em homenagear um homem que no seu tempo estava muito à frente.

Questionado sobre um eventual projeto para a casa onde nasceu António Botto referiu que Abrantes é um concelho com muitas memórias e figuras e que não é possível fazer tudo em simultâneo. Mas destacou que há um trabalho que tem vindo a ser feito, e deu o exemplo de Eduardo Duarte Ferreira, em Tramagal, e do Museu Metalúrgica Duarte Ferreira.

De acordo com Manuel Jorge Valamatos “no centenário de Abrantes [2016] o António Botto integrou as figuras mais marcantes do centenário da cidade” e vincou a importância de perpetuar estas figuras importantes do concelho e do país. E adiantou que esta homenagem a António Botto, com a criação do mural, é também uma homenagem às pessoas da Concavada e dos abrantinos, em geral. Para o autarca esta é uma homenagem aos poetas, aos músicos, artistas, cidadãos e coletividades.

Valamatos destacou ainda as memórias e o sentimento do poeta sobre a sua terra “ele fala das casinhas pequeninas e uma terra que tinha uma fonte onde ele andava descalço e feliz. E são essas marcas que o legado do António Botto nos deixa e que queremos perpetuar e continuar a promover.”

 

Manuel Jorge Valamatos, presidente CM Abrantes

O Município de Abrantes assinalou os 125 anos do Nascimento de António Botto com duas atividades. Uma fica disponível para todas as pessoas que venham a passar pela aldeia de Concavada, é um mural evocativo desta efeméride.

A outra foi uma apresentação musical intitulada “Poetas de Abrantes” com poemas de abrantinos cantados por José Horta. José Horta, na viola, e João Vaz, na guitarra portuguesa, interpretam um poema de António Botto.

Poema de António Botto, na voz e viola José Horta e na guitarra Jão Vaz

O projeto Caminhos Literários pretende afirmar-se como um território literário onde se traçam caminhos e percursos literários. Na sua apresentação, na Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, define-se este projeto como uma marca que será desenvolvida na região e a nível nacional e internacional, através da relação de alguns dos nomes de referência como: António Botto, Camões, Gil Vicente e outros que por cá deixaram a sua marca.
Ainda de acordo com esta explicação, o projeto visa a construção de um território literário entre os municípios de Abrantes, Constância e Sardoal, onde, para além das paisagens literárias associadas a cada um dos escritores, importa frisar a construção de um projeto turístico-cultural em que a literatura seja a alavanca para a descoberta de novas identidades.

 

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