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Mais de 30 moinhos de água vão ser recuperados no Castelo

23/06/2022 às 10:00
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O Castelo de Mação é uma aldeia situada na base da Serra do Bando (que mais de 600 metros de altitude) e, como tal, nas encostas conta uma série de linhas de águas de nascentes que ficam lá mais no alto.

A meio da encosta a Junta de Freguesia de Mação construiu um parque de merendas, no Brejo, local com nascentes de água e onde ao longo de anos foram feitos melhoramentos para acolher turistas e visitantes.

Mas há um troço de serra que, junto ao Castelo (aldeia), junta uma linha de água com diversas derivações, designadas como levadas, e que criam canais superficiais e subterrâneos e que ao longo de anos alimentaram as rodas de mais de três dezenas de moinhos e azenhas. Sim, mais de 30 moinhos e azenhas numa linha de dois quilómetros que estão, agora, ao abandono porque deixaram de moer grãos para fazer farinha.

Trata-se de um conjunto de propriedades e edificações privadas, propriedade de habitantes, ou herdeiros, da região e que podem agora, numa candidatura da Câmara Municipal de Mação, voltar a ganhar vida. Trata-se de uma ideia que já não é nova e que aponta à recuperação de grande parte destes moinhos de água, das levadas e dos espaços envolventes.

Nesse sentido, a autarquia já iniciou o processo de preparação de uma candidatura ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) pelo que houve a necessidade de ter contratos de comodato de todas as propriedades envolvidas. E esse trabalho de formiguinha foi concluído, havendo agora condições de preparar o processo.

O vereador António Louro é o responsável por este processo e explicou à Antena Livre que “esta é uma ideia que a Câmara de Mação tem vindo a alimentar há muitos anos. O Castelo tem um património ímpar no concelho com uma concentração de moinhos de água e azenhas. E a Câmara já fez a recuperação de dois desses moinhos, mas são tantos, mais de 30, que tínhamos de recorrer a ajuda externa.”

O vice-presidente notou que esta concentração de moinhos e azenhas está numa extensão de apenas dois quilómetros de linhas de água. “É muito interessante porque a cadência destes moinhos é muito próxima uns dos outros e, por vezes, a água em meia dúzia de metros passa por três ou quatro moinhos e noutros casos passa de uns moinhos para os outros”, revelou o autarca continuando a explicar que essa “água passa uma rua pelo ar e depois cai numa azenha e vai para um moinho e depois volta a ir para outra azenha...” António Louro referiu-se ao facto de ser uma zona com um declive muito acentuado e que, por isso, permite fazer essa utilização da água.

“Esta é uma tentativa, em conjunto com os proprietários, para justificar uma candidatura em termos documentais. O Município está plenamente empenhado neste projeto, tanto que está assumido pelo presidente, já tinha sido pensado antes, que o projeto vai avançar de qualquer forma,” garantiu o vereador que antevê ainda uma outra possibilidade de encontrar algum financiamento através dos projetos das AIGP (Área de Integrada de Gestão da Paisagem). Uma das vertentes destes projetos passa também pela salvaguarda e intervenção neste tipo de património. Assim, se não for através do PRR diretamente pode haver forma de o financiar através da AIGP prevista para aquela zona.
“Vai demorar algum tempo, porque são muitos moinhos”, mas o vereador garantiu que, a muito curto prazo, vai ser um dos ex-líbris do concelho de Mação.

Já foi criado um circuito pedestre à volta daquele itinerário e são tantos os edifícios que será difícil a recuperação de todos. António Louro vincou que já existe algum trabalho feito nesta matéria, com a associação do Castelo e das Rotas do Concelho, com a definição de itinerários que podem ser percorridos pelas levadas. E as infraestruturas são tantas que esta nossa ideia é ir mais além da reconstrução dos moinhos. “A ideia é ir às levadas e outros edificados. A ideia é avançar para uma reconstrução geral de todo aquele património rústico,” disse o autarca que acrescenta que também “não se justifica ter 37 moinhos a trabalhar.” Mas haverá uma preocupação na recuperação de outros edifícios em pedra de xisto e calçadas próprias daquela localidade para que “não se perca essa riqueza.”

Depois haverá ainda a necessidade de acrescentar algumas infraestruturas de apoio porque “um projeto desta dimensão vai atrair visitantes.” Haverá necessidade de criar um parque de merendas e sanitários, indicou António Louro, que vem juntar-se a um que já existe há muitos anos no Chão do Brejo e que foi desenvolvido pela Junta de Freguesia de Mação. “Aqui não será necessária uma infraestrutura tão pesada, mas serão necessárias infraestruturas mínimas para acolher os visitantes antes ou depois das caminhadas pelos percursos”, justificou o vereador.

António Louro foi quem andou a contactar todos os proprietários dos terrenos ou edifícios que estão abandonados. “Eu acho que não há ninguém que tenha visto aquele património a trabalhar e que não tenha vontade de o preservar e transportar para as novas gerações. Sentiu-se nos proprietários em colaborar,” disse o vice-presidente da Câmara de Mação que repetiu que a autarquia “não quer os moinhos”, mas antes colaborar para sejam os proprietários a usufruir delas, mas suas utilizações rurais.

Ora se haverá moinhos a funcionar pode vir a haver uns saquinhos de farinha do Castelo e, afirma o vereador, “quem sabe um pãozinho quente”. Um dos desafios, garante António Louro, é haver um conjunto de circuitos para lá do património e da natureza, como, por exemplo o circuito do pão, desde o cereal até à moagem. “Quem sabe possamos fazer uma pequena brincadeira e ter um pão quente no final de cada visita”.

E depois há outras parcerias, por exemplo, com a Pinhal Maior “na salvaguarda de muitas pequenas calçadas de pedra, devido ao declive. E temos ainda neste processo os lagares de azeite.”

De referir que a água faz parte da vida destes territórios no sopé da Serra do Bando. As levadas correspondem a um verdadeiro labirinto de canais derivados a partir de um canal principal de escoamento de água. Estas levadas podem encontrar-se a oriente da povoação e são responsáveis pelo transporte de água desde a Serra até aos terrenos das vertentes dos vales junto à aldeia do Castelo.

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