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Abrantes

Endesa mantém plano de investimento na produção e cria polo de investigação (c/áudio)

5/06/2023 às 15:17
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A Endesa mantém os planos previstos quando venceu o concurso para o Ponto de Injeção na Rede do Pego. A afirmação foi de Pedro Almeida Fernandes, membro do Conselho de Administração da Endesa Portugal.

A elétrica espanhola está a instalar-se na região num desafio transversal, na transição energética. E este é um processo que a empresa está a “construir” para alcançar objetivos ambientais e de segurança do fornecimento, o que implica uma mudança de tecnologia.

Pedro Almeida Fernandes indicou que a empresa vai “multiplicar 6, 7 ou 8 vezes as unidades de produção em vez de um único ponto”, na forma tradicional. “Deixamos de ter um ponto [como acontecia na central a carvão do Pego], vamos ocupar quase mil hectares no território. Temos de compatibilizar este processo com o território, na dimensão económica e na biodiversidade”, sustentou o gestor.

Pedro Almeida Fernandes apontou depois, em exclusivo à Antena Livre, “temos um desafio que são as pessoas. Os trabalhadores da central não têm culpa de haver uma mudança. Ninguém pode ficar para trás.” O gestor indicou que “não começamos logo a ganhar, começamos a perder e temos de saber ultrapassar isso.”

E depois há o desafio que assenta no conhecimento, na investigação. De acordo com Pedro Almeida Fernandes, está em curso um investimento de 600 milhões de euros e como tal “vamos ter de fixar pessoas. Vamos criar um polo de investigação e inovação em energias renováveis. Temos de pensar como é que podemos ocupar o solo criando mais valor [juntar outras atividades agrícolas ou pecuárias nos parques de produção] em vez de retirar valor.

Se temos mil hectares de terrenos temos que abrir espaço a outros parceiros e à biodiversidade. Podemos ter a agricultura nos nossos terrenos, assim como, por exemplo, podemos ter poupança de água.”

E depois acrescentou que haverá uma outra ideia base de “formar jovens para fazer a carreira. Já estamos a trabalhar aqui na formação. Esperamos começar a trabalhar noutras áreas como a investigação.”

Neste momento a Endesa tem 14 pessoas a trabalhar em Abrantes, 8 delas que vêm da central a carvão. “Estamos a lançar formação para capacitar as pessoas para estas áreas, pelo que no final de 2024 teremos 60 empregados e em 2025 serão 75.”

Pedro Almeida Fernandes indica que a empresa traz é “um efeito escala. Nós chegamos na Transição Justa, mas há outros players.”

E deixou outra nota, que é ao mesmo tempo, uma preocupação, que assentava na investigação para dar destino aos materiais utilizados nos parques quando entram em fim de vida. “Hoje quase 95 por cento das pás eólicas são valorizadas. Queremos criar condições para melhorar ainda mais. Por exemplo, como podemos reciclar as pás eólicas e dar circularidade a estes produtos que são riquíssimos.”

Outra grande preocupação é o armazenamento, tanto mais que a Endesa vai instalar na região baterias que permitiram armazenar quase 200 Megawats de energia. “Temos de melhorar a tecnologia desta matéria”, indicou ainda o gestor.

Pedro Almeida Fernandes, Endesa

Pedro Almeida Fernandes garantiu ainda que com o “nosso polo de investigação vai ser feito o mesmo que a Zona Livre Tecnológica. Temos áreas dos nossos parques que terão tecnologia experimental. Assim como vamos ter áreas de experimentação para o hidrogénio verde.”

E acrescentou ainda que vai ser constituída uma equipa de investigação que vai ficar em Abrantes e que terá como objetivo “a investigação e a inovação. Pensamos construir a equipa em 2024 para em 2025 iniciarmos a exploração, de forma concreta.”

Pedro Almeida Fernandes só não indicou as localizações dos vários parques de produção na região, que serão anunciados na altura própria.

Pedro Almeida Fernandes é gestor e lidera a Enel Green Power e Thermal Generation Portugal. Em janeiro substituiu Nuno Ribeiro da Silva no Conselho de Administração da Endesa Generacion Portugal S.A. O grupo Enel é o maior acionista da Endesa. Pedro Almeida Fernandes pertenceu ainda à Administração da Tejo Energia, da central do Pego, entre setembro de 2016 e agosto de 2021.