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terça,
31 jan 2023
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Artes e Ofícios

A salvaguarda do Património Imaterial Cultural em discussão (c/áudio)

17/01/2023 às 08:30
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O mote da Tagus foi o de passar um dia a debater e discutir as Artes e Ofícios ou a “arte” do saber fazer. Trata-se de um projeto para os concelhos de Abrantes, Constância e Sardoal e tem cinco passos para poderem ser dados na defesa da cultura ou cultura popular, onde se enquadra o artesanato ou a arte de saber fazer que passa de pais para filhos, mas que, nalguns casos, chega a um fim de linha e são saberes que se perdem.

Na sessão de abertura deste seminário, Miguel Borges, presidente da Câmara Municipal de Sardoal, começou por evocar o trabalho da Tagus, como Grupo de Ação Local que está próximo da comunidade e é uma estrutura próxima, igualmente, de “quem sabe fazer ou de quem tem capacidade para fazer.”

 

Miguel Borges, presidente CM Sardoal

O autarca utilizou uma expressão que já utilizou noutros eventos (como no projeto Caminhos Literários) quando referiu que “estamos a fazer passadiços entre os três municípios. Artes. Património. E as artes e ofícios, como é o caso.” Logo de seguida Miguel Borges voltou a repetir uma outra ideia que tem feito parte da sua narrativa quando promove o seu território: “muitas vezes falamos do interior como território deprimido, mas o interior é tão bom que Sardoal até está perto do mar e até tem um aeroporto”, fazendo notar que a distância entre aeroportos internacionais e a capital de certos países é igual aquela que fica entre o seu concelho e o aeroporto internacional de Lisboa. Depois vincou: “temos acessibilidades, temos equipamentos desportivos, temos equipamentos de saúde, temos as carências que os grandes centros têm, mas temos uma preciosidade que os grandes territórios não têm. Nós temos ‘Tempo’ para usar, para usufruir disto tudo que é coisa que os grandes centros não têm. Estamos aqui e daqui a dez minutos vamos buscar os filhos à escola e mais dez minutos estamos em casa.”

 

Miguel Borges, presidente CM Sardoal

O autarca de Sardoal revelou ainda ser este seminário uma boa forma de iniciar as comemorações dos 30 anos da Tagus (23 novembro 2023).

Joaquim Felício, em representação da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) Centro e gestor do Portugal 2020 esteve na cerimónia de abertura.

Em três pontos evocou a importância deste encontro. Primeiro a iniciativa. “Temos muitas ‘summits’, mas deixamos de falar de outras coisas. Temos de projetar o futuro, mas temos de continuar a falar do passado”, disse o dirigente da CCDR fazendo logo uma provocação: “o artesanato é o futuro.” E ao deixar esta mensagem, ilustrou de seguida com exemplos de grandes encontros internacionais sobre esta temática como um que vai acontecer em Florença (Itália). E é uma feira que tem como temas os “mesmos desta conferência. Por isso temos aqui evidência do interesse deste tema.”

 

Joaquim Felício, CCDR Centro

E se Joaquim Felício apontou a Inovação como primeiro patamar, logo de seguida lançou outro com tanta ou maior importância: “o desenvolvimento sustentável.” Acrescentou que são temas que devem ser tratados. E este desenvolvimento tem depois outro fator que tem a ver com a dimensão económica.

 

Joaquim Felício, CCDR Centro

E é na área económica que as CCDR podem ser fundamentais nos apoios que concede e que próximo Quadro Comunitário de Apoio, o Portugal 2030, tem verbas. “A dimensão do apoio ao micro empreendedorismo tem duas linhas de apoio.”

Depois uma palavra para a Tagus. “Vamos voltar a estar um pouquinho afastados, mas estamos juntos a preparar o desenvolvimento das regiões.”

Joaquim Felício, CCDR Centro

Dinamizado pela Tagus – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior, e pelos três municípios da sua área de ação, o projeto AO.RI – Artes e Ofícios do Ribatejo Interior visa a valorização do património identitário dos territórios no âmbito do desenvolvimento local de base comunitário, representando um investimento na ordem dos 72.500 euros, sendo financiado a 85% no âmbito do Programa Operacional do Centro do Portugal 2020 e pelo FEDER - Fundo Europeu para o Desenvolvimento Regional.

O objetivo é salvaguardar a arte do saber fazer ou o património imaterial deste território.