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26 set 2022
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Sociedade

Escritora percorre a Nacional 2 de "pasteleira" para dar a conhecer o seu livro (C/ÁUDIO)

16/08/2022 às 16:59
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Sandra May tem 28 anos, nasceu em Viana do Castelo, mas vive na Chamusca. Aos 12 anos começou a escrever um diário. Uma rotina que mantém desde essa altura. Foi bailarina profissional durante vários anos, depois ingressou no exército durante três anos e meio. Mas foram estas passagens na sua vida que a fizeram avançar para aquilo que realmente a fazia feliz: escrever. A viagem da escritora Sandra May começou no dia 31 de julho e pretende pedalar sozinha os 730 km que ligam o norte ao sul do nosso país, entre Chaves e Faro, para divulgar o seu livro. E neste itinerário tem paragens agendadas 17 municípios, onde faz a apresentação do livro “Ainda não é desta”.

Este livro aborda as histórias, vidas e aventuras de duas amigas: Lara e Maria que vivem juntas num apartamento no Porto. “De bailarina optei por ir para carreira no exército e depois resolvi voltar às artes como professora de dança e yoga e escrita”, disse a jovem escritora na Biblioteca Municipal de Abrantes na quinta-feira, dia 11. Sandra May chegou a pedalar acompanhada por dois ciclistas da de Abrantes. Já no interior da biblioteca explicou o seu percurso de vida, antes de chegar ao projeto de percorrer a Nacional 2 numa “pasteleira”.

“Sempre escrevi muito, mas em diários, para ficar com as memórias porque tenho muito medo do Alzheimer, por presença da doença na família.

Por isso as memórias são muito importantes”, destacou Sandra May ainda ofegante pela subida a pedalar até à biblioteca de Abrantes.

 

Perante a plateia explicou que teve o desafio de escrever motivado pela sua vida militar. “Escrevi um romance e o projeto surge por forma a vender o livro. É fácil escrever um livro. Mais difícil é vende-lo.” E continuou a explicar: “Punha dez exemplares num cesto e chegava a casa com os mesmos livros. Decidimos, por isso, fazer algo mais louco que foi fazer a Nacional 2.”

Sandra May revelou que este era um projeto íntimo, “muito meu”, mas acabou por ganhar dimensão quando começou a ter feedback das câmaras municipais, naquilo que foi o arranque do projeto.

Quanto à história do “Antes que seja tarde” aponta a uma espécie de “abre olhos destinado aos mais jovens”. Mas acrescentou “os mais velhos se revêm muito naquilo que passaram” ao lerem a história. A escritora não tem problemas em dizer que o sé livro é, para os mais jovens, “como uma ferramenta de abrir portas para o seu caminho. E a Lara (personagem principal) é o exemplo do auto descobrimento. “Eu própria passei por várias etapas até perceber ser este o caminho.”

Quanto ao projeto da Nacional 2 a escritora começou por dizer, de forma divertida, que começou como todos, em Chaves, no km 0 da mítica estrada que atravessa todo o território nacional. Mas logo depois suspirou e confidenciou que “ao terceiro dia estive para desistir na subida para Lamego.” Sandra May disse que esta viagem está a ser muito física, mas também muito psicológica.

É um percurso numa pasteleira, que comprei.” A bicicleta pesa 19 quilos. Mesmo com a carreira militar Sandra May revelou que até há dois meses “não sabia que a bicicleta tinha mudanças”. Depois acrescenta mais dez quilos na bagagem. “Tive de aprender a conduzir numa bicicleta com mudanças”. Apesar das dificuldades afirmou ganhar “uma nova energia quando apresento o projeto. Não tenho a noção daquilo que é o mediatismo deste projeto”.

Quanto à possibilidade desta viagem proporcionar um novo livro a resposta é simples: não era esse o objetivo. “Temos um percurso muito bonito. E depois podemos ver que dentro da cultura portuguesa há muitas outras culturas, pelo menos é o que me tocou. Gostava de poder escrever um livro sobre as pessoas que me tocaram na vida”.

Sandra May revelou ter três pessoas que a apoiam. “Tenho um localizador que permite que estas pessoas me liguem se eu parar tempo a mais num sítio, porque faço as viagens sozinha”.

O ponto final está agendado para a Sandra chegue dia 20 a Faro para uma última apresentação do seu livro. A escritora revelou ainda que a velocidade mais elevava que fez foi de 55 km/hora e que não teve furos ou quedas. Tem receio de um furo numa curva porque “é perigoso” e explicou que teve aulas de como mudar uma câmara de ar a Decathlon apoia o projeto cultural com a cedência da bicicleta e “perguntam todos os dias como é que ela se comporta".

Sandra May disse ainda que foi na biblioteca de Abrantes que comprou o passaporte na Nacional 2 e que, pelo percurso, para muito nos bombeiros a pedir carimbos.

Sobre escrever um livro sobre a viagem respondeu “não sei. Quando acabar vou descansar.”