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06 dez 2021
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VN Barquinha: Trilho panorâmico do Tejo em 2021

9/07/2021 às 16:10
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É uma velha ambição do Município de Vila Nova da Barquinha e em breve deverá ser um dos principais produtos turísticos do concelho. Passadiços, corrimões, miradouros e áreas de lazer fazem parte de um percurso com uma extensão de cerca de 11,5 quilómetros à beira Tejo, entre a foz do rio Zêzere, em Constância, e Vila Nova da Barquinha, que permitirá aos visitantes um contacto único com a natureza e a enorme beleza da paisagem ribeirinha. Pelo meio, o prémio da passagem junto ao eterno Castelo de Almourol, que este ano celebra o seu 850.º aniversário.

O concurso público para a obra da responsabilidade da Câmara Municipal foi lançado no dia 28 de junho. O “Trilho Panorâmico do Tejo” deverá abrir ao público no último trimestre de 2021, estando já agendada uma caminhada incluída nas Rotas e Percursos do Médio Tejo, para o dia 27 de novembro.

Com mais de uma década de existência, o trilho original entre Constância e Vila Nova da Barquinha, ao longo da foz do rio Zêzere e a margem direita do rio Tejo, era utilizado pelo Grupo de Cicloturismo Barquinhense no âmbito da prova desportiva de BTT “Almourol à Vista”. A intervenção pública tornará o trajeto mais seguro, mantendo-se o trilho natural em terra batida na sua maior extensão, com novas valências e intervenções de melhoria em 16 pontos, para ser desfrutado de forma pedonal e clicável. Com um percurso a escassos metros do rio, irá dispor de simbologia oficial com vista à homologação como Percurso Pedestre de Pequena Rota.

O Fluviário da Foz do Zêzere, no Centro Náutico de Constância, será o ponto de partida. Neste local, entre a Ponte sobre o Zêzere e a Ponte sobre o Tejo (a primeira em Portugal, obra de arte de Maison Eiffel), avistamos uma paisagem deslumbrante, com o desaguar do rio Zêzere no Tejo e a vila de Constância como pano de fundo. Aí serão colocados um miradouro e um passadiço com 35 metros de comprimento.

Continuando até à vila de Praia do Ribatejo, podemos observar as cegonhas e a imponência de alguns edifícios, que testemunham a época áurea em que a indústria da serração de madeiras transportadas pelo rio Zêzere abaixo, constituía uma atividade económica relevante para a povoação.

No Cais Pai Avô será criada uma zona de lazer, que facilitará o acesso de embarcações ao rio e irá dispor de mobiliário para contemplação da paisagem.

Um pouco adiante surge a fonte da Galiana. Depois, eis que surge, imponente, o Castelo de Almourol, a fortificação com o mais belo enquadramento paisagístico em Portugal, numa ilhota do Tejo. Após uma visita ao Castelo, aprecie um cenário ímpar. Os barqueiros e as suas embarcações típicas fazendo a travessia dos turistas que visitam o Monumento Nacional.

Nas imediações de Almourol, numa colina próxima, na margem direita do Tejo, existe o Convento de N. Sr.ª do Loreto, que terá sido fundado por D. Álvaro Coutinho, neto de D. Vasco Coutinho, que foi o 1º Conde do Redondo.

Após a passagem pelas piteiras já referidas por Alexandre Herculano, surge agora com toda a propriedade a vila de Tancos e o Cais d’el Rei, com a sua beleza e graça naturais. Durante a Idade Média foi um porto fluvial muito importante, estabelecendo a ligação entre as terras do interior e Lisboa, tendo por via comercial o rio. Hoje a povoação de Tancos mantém aspetos da sua Arquitetura tradicional e alguns dos vestígios do seu passado ainda podem ser admirados. É considerada uma das vilas mais floridas da Europa, tendo conquistado em 1999 uma Medalha de Bronze no Concurso Europeu de Vilas Floridas. Nas traseiras da Igreja da Misericórdia, pode ser apreciada uma das obras de arte pública do projeto Artejo, da autoria dos artistas Violant e Carlos Vicente.

Continuando com o Tejo como "pano de fundo", merece uma visita em Tancos a Igreja Matriz, Monumento de fins do século XVI dedicado a N. Sr.ª da Conceição. As paredes estão revestidas por azulejos do século XVII, e um conjunto de talha dourada do século XVII cobre o altar na parte frontal da Capela-Mor.

Entre Tancos e Vila Nova da Barquinha, para começar, aprecie a flora e faina piscatória no rio Tejo. São muitos os que se dedicam à pesca. Fataça, sável, lampreia e enguias são algumas das espécies de peixe mais procuradas por quem exerce esta atividade económica, sobretudo nas localidades ribeirinhas de Vila Nova da Barquinha, Tancos e Praia do Ribatejo.

O percurso continua em direção à sede de concelho que foi até ao século XVIII um pequeno aglomerado que se designava “Barca” pois existia no local um ponto de passagem para a margem esquerda do Tejo. O aglomerado desenvolveu-se em função do Rio Tejo, a partir dos finais do século XVIII, transformando-se num importante entreposto comercial do comércio de madeiras, sal e azeite. Devido a essa prosperidade económica em 6 de novembro de 1836, foi elevada a sede de concelho.

Chegará por fim a Vila Nova da Barquinha, mais concretamente ao parque ribeirinho, onde está instalado o Parque de Escultura Contemporânea, um verdadeiro museu ao ar livre com cerca de 7 hectares, onde estão juntos os nomes mais representativos da escultura contemporânea portuguesa. Este é o local ideal para apreciar a beleza da paisagem ribeirinha e desfrutar de um espaço verde onde existem equipamentos de lazer, desportivos e espaços lúdicos com caminhos que serpenteiam o antigo leito do Tejo.

Local de excelentes ligações com o rio, Vila Nova da Barquinha foi outrora um porto fluvial importante de cuja memória restam alguns belos edifícios do século XIX e a toponímia das suas ruas que evocam os tempos da navegabilidade do maior rio da península.

Em Vila Nova da Barquinha merece uma visita o Posto de Turismo, o novo Centro de Interpretação Templário de Almourol, a Galeria do Parque, bem como as recentes obras de arte pública com a chancela da Fundação EDP.

 

Foto: Pérsio Basso/ CMVNB